Capital Report

108 anos depois: Chicago Cubs vence a World Series!

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Torcida vive de títulos? Podemos dizer que é bem mais fácil viver com títulos. Afinal, quando se entra numa competição, se espera a vitória, a conquista, a celebração.

No Brasileirão, por exemplo, o Palmeiras pode encerrar um jejum de 22 anos sem levantar o principal título nacional. O Galo, no entanto, tem um jejum mais longo: 45 anos sem erguer o caneco.

Se um jejum desses para um campeão é absurdo aqui no Brasil, que dirá nos EUA, onde as cidades respiram esporte.

Chicago, no estado do Illinois, tem excelentes histórias e, mesmo que poucas, são extremas. Na NFL temos o Chicago Bears que não anda bem das pernas, mas sua equipe de 1985, vencedora do SuperBowl, é considerada a melhor equipe de todos os tempos do Futebol Americano.

Na NBA, até mesmo você que não curte esportes estadunidenses deve ter ouvido falar no Chicago Bulls do fim da década de 80/ década de 90. Se não ouviu falar, pelo menos de Micheal Jordan você recorda, certo?
A franquia de basquete conseguiu seis títulos da NBA nesse período, e colocou Micheal Jordan no panteão dos melhores dos esportes.

Depois desses dois grandes escretes, as franquias de Chicago amargam um incômodo jejum (31 anos na NFL, 18 anos na NBA). Só que nada – NADA MESMO – se compara ao jejum do time de baseball da cidade.

O Chicago Cubs venceu a World Series (a “final” da MLB, Liga de baseball americana) pela última vez no ano de – acredite – 1908. Um jejum de inimagináveis 108 anos. Podemos afirmar sem erro que não há mais torcedor dos Cubs vivo desde a última conquista – ou, pelo menos, que lembre como ela aconteceu.

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Um jejum tão grande despertou o apreço de outros torcedores de baseball. Tanto é que os Cubs tem um apelido ~carinhoso~: Lovable LosersOs Adoráveis Perdedores.

Por várias ocasiões esse jejum poderia ter caído, mas uma ~maldição~ condenou os Cubs a não mais ser campeão da World Series.

Tudo aconteceu em 1945. No jogo 4 da World Series, o torcedor grego Billy Sianis, que detinha uma indústria em Chicago, tentou entrar no Wrigley Field com seu bode de estimação. O animal exalava um mal cheiro insuportável, o que fez com que os torcedores “expulsassem” o bicho e seu dono.

Revoltado, o fã proclamou que, a partir daquele dia, a franquia jamais venceria uma World Series novamente.

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Coincidência ou não, os Cubs não conseguiram chegar a uma World Series desde então. Chegaram as finais da Liga Americana (algo como uma semifinal) por algumas vezes, mas nunca conseguiram vencer.

Uma dessas “semifinais” emblemáticas aconteceu em 2003. Os Cubs enfrentavam os Florida Marlins, lideravam a série melhor de 7 por 3 a 2 e tinham um jogo 6 em casa, bastando uma vitória para voltar a World Series.

Venciam por 3 a 0 na oitava e penúltima entrada. Uma jogada, no entanto, perpetuaria a tal maldição. E tudo por culpa de Steve Bartman.

É costume dos torcedores irem com luvas de baseball para tentar agarrar bolas de Home Run (quando o rebatedor acerta a bola, jogando nas arquibancadas, fora do alcance dos defensores do time adversário – como a defesa não pode eliminar o rebatedor, ele passeia nas bases até voltar a Home Plate, a primeira base, completando a corrida e pontuando). No entanto, se a bola ainda estiver em alcance de um defensor, isso é considerada interferência externa, e a jogada é invalidada.

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Bartman, jumentamente, interferiu das arquibancadas numa eliminação de bola alta que estava na luva de Moises Alou, dos Cubs. Como estava no alcance do atleta de Chicago, a jogada foi invalidada, e a entrada prolongada. O time de Chicago acabou levando a virada e, no jogo seguinte, sofreu nova derrota, aumentando o jejum.

Imagina para o pobre torcedor do Cubs que nem sequer chegou a uma decisão e só viu seu time campeão em fotos preto e branco de antes mesmo de seu pai nascer?

Pois foi um sentimento extremo de alívio que toda a cidade sentiu ontem, quando FINALMENTE os Cubs levaram uma World Series. E foi fora de casa, contra outro “jejuento” time: o Clevland Indians – que não vencem a World Series desde 1948.

Obviamente, como todo enredo de grande conquista deve ser, veio com sofrimento. Os Indians venciam a série melhor de 7 por 3 a 1 e tinham o “match point”. Os Cubs precisariam vencer os três últimos jogos – sendo dois em Clevland – e foi justamente o que aconteceu.

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No jogo decisivo, na noite de ontem, depois de paralisado por conta da chuva (em 6 a 6), o jogo precisou ir para a “prorrogação” – são 9 entradas no jogo e, se houver empate, é disputada entradas adicional. Na base da raça e da emoção, os Cubs venceram os Indians por 9 a 7, decretando o fim do maior jejum esportivo dos Estados Unidos.

Para a surpresa de muitos, quase que um filme acerta o fim da seca de títulos dos Cubs. No filme De Volta para o Futuro II, o personagem vivido por Micheal J. Fox viaja até o ano de 2015. Lá, Marty encontra o Wrigley Field comemorando o título do Chicago Cubs. Impressionante, não é?

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Por um ano está na margem de erro?

Sobre o jogo, fiquem como o excepcional texto do Júlio Gomes – torcedor da Lusa, o nosso Chicago Cubs – sobre a decisão.

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E você: lembra da última vez que seu time foi campeão? Comenta aí!

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