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EI x Globo: a Guerra Civil na transmissão do futebol

E aí? #TimeGlobo ou #TimeEI?

Um dos fatores que impede o crescimento do futebol – afinal, não é normal comemorar empate da Seleção com o Paraguai – são as tão faladas cotas de transmissão. A visibilidade e a fatia financeira são preciosas no orçamento dos clubes de futebol. Isso acaba deixando os clubes meio que “presos” a quem paga, e se submetendo a seus desejos – como os jogos no meio de semana às 10 da noite.

Após a dissolução do Clube dos 13 – que negociava os direitos de transmissão dos seus membros diretamente com a Globo – ficou um cada um por si: cada clube deveria assinar contrato próprio com a Vênus Platinada.
Desde então, a Globo é a única que tinha cacife para bancar os altos valores.

A atual divisão das cotas de transmissão da Globo se dividem em duas frentes: a TV aberta e a TV por assinatura.

  • Na TV aberta (que tem janelas como os domingos à tarde e as quartas às 10 da noite) exibem mais e pagam mais clubes que dão mais audiência. No entanto, essa audiência é medida em sua quase totalidade nas praças do RJ e SP.
  • Já na TV paga, soma-se um critério da venda de pacotes do Premiere FC – que transmite todas as partidas do Brasileirão Série A e B. Existe um valor fixo distribuído entre os clubes (em 2014, foi na faixa de R$ 300 milhões). Quem vende mais pacotes, recebe mais.

Essa divisão acaba por deixar o jogo financeiro bem desbalanceado. Corinthians e Flamengo – as duas maiores torcidas no Brasil – se isolam no topo das cotas. De R$ 25 milhões em 2009 (quando o Clube dos 13 negociava), para R$ 170 milhões em 2016.
Enquanto isso, o Cruzeiro – que foi bicampeão brasileiro em 2013 e 2014 – saiu de R$ 16 milhões em 2009 para R$ 60 milhões em 2016.

Essa disparidade entre os clubes é muito questionada, pois provoca a tão falada “espanholização”, em que dois clubes detém o poder no futebol, assim como Real e Barça fazem na Espanha. O Cruzeiro, por exemplo, teve que investir mais no relacionamento com o torcedor (programas de sócio torcedor, pacotes de ingressos) para manter o time campeão em 2014.

E isso é com relação ao tal TOP 12. E quanto aos clubes ditos de menor expressão, e os clubes do Norte/Nordeste, que pegam uma fatia bem menor da cota pois não tem alcança no Rio/São Paulo?

Foi nesse cenário turbulento que o Grupo Turner e o Esporte Interativo resolveram entrar na disputa do próximo contrato de transmissão do Brasileirão.

Sabemos que o EI não está para brincadeira – afinal, tirou a Liga dos Campeões da ESPN ano passado. Sabemos também do reforço dado ao futebol do Nordeste, Norte e Centro-oeste com o retorno das Copas Regionais. Agora o Esporte Interativo – que oferece um interessante serviço de transmissão pelo seu aplicativo – quer mais. E mirou no Campeonato Brasileiro, para acertar os contratos válidos entre 2019 e 2021.

E pra quem achava que bancar a Globo era dar um passo maior que as pernas, o EI fechou com Santos, Inter, Atlético-PR, Coritiba e Bahia, ex-Clube dos 13.

Ao tentar contrato com o São Paulo, e ter o pedido negado, resolveu tentar assinar com clubes ~emergentes~, que estão próximos do acesso à elite do futebol, mas que ainda estão na Série B. Assim, conseguiu aumentar seu plantel com Joinville, Ceará, Paysandu, Sampaio Corrêa e Fortaleza. Segundo o EI, mais 5 clubes teriam assinado, totalizando 15.

A proposta do EI é a seguinte: R$ 550 milhões (no caso, se fossem 20 clubes na Série A) com modelo de distribuição da Premier League: 50% será distribuído entre os clubes, 25% de acordo com o desempenho técnico dos clubes na competição, e outros 25% a partir da audiência de cada clube.

Somado a isso, promete uma cláusula “anti-Corinthians”, evitando a concentração de jogos de um único clube. Uma das propostas que agradou mais o torcedor foi a promessa do fim do horário das 22h para partidas.

A Globo, por outro lado, renovou contratos com Corinthians, Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, São Paulo e Vasco. Por último, o Flamengo entrou nesse jogo, aceitando a oferta global.

Vendo que os clubes ~mais esquecidos~ pela emissora estavam assinando com o EI, foi atrás e assinou com Sport, Vitória, Avaí, Chapecoense e Náutico.

Para os clubes, a Globo aumentou sua oferta em relação ao contrato vigente: ofereceu R$ 1,1 bilhão de reais para os clubes da Série A para TV aberta e fechada (canais por assinatura e PPV), com a seguinte divisão: 40% dividido entre o os clubes, 30% de acordo com a classificação no Brasileirão do ano anterior e 30% de acordo com a exposição do clube.
Isso, claro, somadas a liberação de naming rights nos estádios, venda 100% das placas de publicidade…

Comparando as propostas, a Globo está pagando mais, mas em 3 plataformas distintas. o EI dará apenas na TV paga, mas… algo me diz que a visibilidade vai aumentar com o EI Plus.
Um detalhe importante é que, nas duas propostas, caso o clube caia para a Série B, o pagamento será suspenso no ano seguinte.

A disparidade, tão questionada, parece ter diminuído – apesar de Corinthians e Flamengo continuarem com a Globo. As propostas estão na mesa, e faltam ainda alguns clubes se posicionarem – o Palmeiras é o único do G12 que não se manifestou ainda.

Brincamos lá em cima por causa do filme da Marvel, mas essa disputa parece ser benéfica ao nosso futebol. Com mais dinheiro, mais visibilidade e menos disparidade, podemos ter um campeonato cada vez mais competitivo. Sonhar não custa nada, não é verdade?

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E aí? De que lado você está nessa “Guerra”? Comenta aí!

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Clubes citados no post
                     
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