Boletim Tóquio 2020 – Março de 2021

Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio estão chegando.

A COVID19 ainda assombra, mas não é o único assunto da organização e da classificação, rumo a abertura em julho, ao que tudo indica.

Vamos ver como foi o mês de março olímpico:

Março: mês de luta das mulheres

No mês de março se lembrou a luta contínua das mulheres por igualdade e respeito.

E as atletas tiveram de bater de frente com uma tradição – e superaram.

O Catar recebeu pela primeira vez uma etapa feminina do Circuito Mundial de Vôlei de Praia. No entanto, a organização local resolveu proibir o uso dos biquínis de competição.

O torneio, que começou justamente no dia 8 de março, poderia ter sofrido um boicote grande, pois a dupla alemã Sude e Borger, uma das melhores do mundo, tinha decidido não participar em protesto a essa medida.

Após longa discussão – já que muitas duplas iriam puxar o boicote -, o comitê local abriu mão da proibição.

Brasil: epicentro da pandemia

A pandemia assola o Brasil, mas o esporte insistentemente persiste (na verdade, quem persiste com ele são os dirigentes).

Um exemplo disso foi o evento que aconteceu nesse mês no Rio de Janeiro, já com superlotação em leitos de UTI: eventos de Remo.

Um pré-olímpico (com uma emocionante classificação de Lucas Verthein para as Olimpíadas) e um Sulamericano.

Claro, não se compara ao vexame da Federação Paulista de Futebol e CBF com Paulistão e Copa do Brasil, mas “se destacou”.

Brasileiros garantidos em Tóquio

Como o assunto é classificação de brasileiros, tivemos vagas garantidas em março principalmente com esgrima (em que a nossa campeã mundial Nathalie Moellhausen) e no Tiro Esportivo (com o nosso medalhista de prata Felipe Wu).

E, claro, o grande momento no quesito vagas brazucas foi a classificação da seleção masculina de Handebol em pré-olímpico realizado na Noruega. O jogo que definiu a vaga foi emocionante contra uma pedra no sapato: o Chile.

Aliás, um destaque todo especial para a TV NSports, que vem trazendo muitas competições olímpicas para o grande público através do streaming, uma agradável surpresa para os apaixonados por esporte.

Vacinação de atletas – as ajudas estão chegando

O COVID19 continua forte e influenciando a organização dos Jogos.

Agora, que nunca estivemos tão perto da Abertura, muita coisa vai se encaminhando.

A China, que tem duas vacinas contra o COVID19 aprovadas (inclusive, uma sendo usada no Brasil), ofereceu ao COI uma provisão de vacinas contra o coronavírus para garantir a disputa dos Jogos desse ano, e os de inverno em 2022, justamente em Pequim.

Isso não pegou tão bem assim no Japão, eterno “adversário político” dos chineses.

A ministra japonesa para a Olimpíada, Tamayo Marukawa, afirmou que os atletas japoneses não participarão dessa parceria por nenhuma vacina chinesa ter sido aprovada ainda no Japão…

Thomas Bach reeleito e Agenda 2020+5

Em meio a tensa organização dos Jogos Olímpicos, o COI não mudou sua programação e realizou eleição para presidência em 2021.

Sem oposição e de forma unânime, Thomas Bach foi reeleito presidente da entidade, cujo mandato terminará em 2025.

Obrigada do fundo do meu coração. Isso é muito importante dadas as reformas e decisões difíceis que tivemos que tomar. Me emocionou e torna humilde. Eu disse que queria liderar o COI de acordo com o meu slogan de campanha, unidade na diversidade, e ser um presidente para todos vocês. Este compromisso é verdadeiro no meu segundo e último mandato.

Para seus próximos 5 anos, Bach lançou a Agenda 2020+5.

Nada mais é que um documento de intenções da entidade para organizar os eventos nos próximos anos.

A valorização dos “jogadores limpos” e esportes virtuais, bem como viabilidade financeira são destaques.

Em 2018, durante os Jogo de Inverno, a Intel organizou um evento de e-sports. Parece que o COI quer mais desses nos próximos Jogos.

São eles:

  1. Fortalecer a singularidade e universalidade dos Jogos Olímpicos
  2. Fomentar Jogos Olímpicos Sustentáveis
  3. Reforçar direitos e responsabilidades dos atletas
  4. Continuar a atrair os melhores atletas
  5. Fortalecer ainda mais o esporte seguro e a proteção de atletas limpos
  6. Melhorar e promover o caminho até os Jogos Olímpicos (adoção de eventos classificatórios multidesportivos)
  7. Coordenar a harmonização do calendário esportivo
  8. Aumentar o engajamento digital com as pessoas
  9. Encorajar o desenvolvimento de esportes virtuais e o engajamento com comunidades de gamers
  10. Fortalecer o papel do esporte como um importante facilitador para as metas de desenvolvimento sustentável da ONU
  11. Fortalecer o apoio a refugiados e populações afetadas por deslocamentos
  12. Alcançar além da comunidade olímpica
  13. Continuar a liderar pelo exemplo na cidadania corporativa
  14. Fortalecer o movimento olímpico através da boa governança
  15. Inovar os modelos de geração de receitas

Sem público estrangeiro

A notícia triste mais esperada dos Jogos Olímpicos foi a confirmação de que não teremos público estrangeiro acompanhando as olimpíadas.

O avanço da pandemia, o controle rígido do vírus no Japão e o ceticismo da população e de parte da organização sobre a realização dos jogos “formalizaram” essa decisão do COI:

“A fim de dar clareza aos titulares de ingressos que vivem no exterior e permitir que eles ajustem seus planos de viagem nesta fase, as partes do lado japonês chegaram à conclusão de que não poderão entrar no Japão na época das Olimpíadas e Paralimpíadas. Esta conclusão contribuirá ainda mais para garantir jogos seguros e protegidos para todos os participantes e o público japonês”

Quem comprou ingressos e não mora no Japão será reembolsado.

Apesar da restrição de público estrangeiro, ainda não foi definido a quantidade de público permitido nas arenas.
Além disso, os voluntários estrangeiros também foram dispensados.

Revezamento da Tocha

No fim do mês, o revezamento da Tocha Olímpica no Japão, que havia sido interrompida por conta da pandemia, foi retomada.

Fukushima, acometida há 10 anos por uma tragédia que matou 18mil pessoas (terremoto, tsunami e derretimento de reatores nucleares) – foi escolhida para iniciar o trajeto.

E aí, ansiosos para o início dos Jogos? Comenta aí!