#DitaduraNuncaMais Clubes brasileiros vão se manifestar?

Hoje é um dia para se lembrar, não para se comemorar. Hoje completam-se 55 anos do estopim que iniciou o Regime Militar, que se tornou uma feroz ditadura supressora de direitos, que durou 21 anos.

E o que o esporte tem a ver com isso, você se pergunta?

Nada como um exemplo do vizinho que passou por algo semelhante para que quem deseja entender (e não esteja envolto em cantos de sereia ideológicos) realmente o faça.

Muito comemorado, o título mundial em 1970 foi usado pelo Regime Militar para mascarar os Anos de Chumbo com um Ufanismo desenfreado.

Os Hermanos mandam o exemplo

A Argentina passou por uma Ditadura tão ou mais pesada quanto a nossa. Inclusive a Copa do Mundo de 1978 é envolta por ela – o que desperta muitas dúvidas sobre como a FIFA tratou o problema na época, haja vista o regulamento (entenda-se: Argentina 6×0 Peru).

Domingo passado na Argentina, foi Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça, data que relembra a cruel ditadura cívico-militar iniciado em 1976, em especial para homenagear as 30 mil vidas que ainda estão desaparecidas.

Os clubes hermanos, em conjunto, se pronunciaram contra o antigo regime de governo, para que os torcedores não esqueçam as atrocidades desse tempo. Eles subiram em conjunto a hashtag #NuncaMás. Confira:

..E aqui no Brasil?

Com o atual e desastroso regime de governo brasileiro, estamos envolvidos em mais uma polêmica, com relação ao dia de hoje: em 31/03/1964, forças do Exército iniciaram o Golpe de Estado que retirou João Goulart da presidência e, dias depois, instauraram um Regime Militar no país.

Regime esse que foi instaurado sob o pretexto de salvar o país do Comunismo (regime político que não foi instaurado em nenhum país do mundo) com auxílio indireto dos EUA, perseguiu a todos que eram “ameaças ao regime e a Nação”, mas usou o braço do Estado para eliminar qualquer um que discordasse do Regime. Uma ditadura, na sua mais pura definição.

Não que os clubes argentinos estejam livres de esquemas corruptos – há pouco tempo a AFA estava com ameaças de intervenção tamanha crise – mas esperava-se que os clubes brasileiros pudessem fazer algo semelhante, se posicionando contra a Ditadura que assolou (e ainda reflete) no nosso país.

Até a edição desse post, pouquíssima ou nenhuma menção dos clubes brasileiros ao triste dia de hoje.

A mais efusiva foi a do Corinthians, que lembrou do movimento da Democracia Corinthiana (durante a década de 80, os jogadores do Timão “assumiram” as rédeas do clube, liderados por Sócrates).

Uma declaração indireta, OK, mas é aquela: pra bom entendedor, meia palavra basta.

O Bahia, que passou por uma situação política delicada pouco tempo atrás, também se manifestou:

O Vasco, após a partida contra o Flamengo pela final da Taça Rio, também decidiu se manifestar, postando uma música emblemática dos tempos de Ditadura: O bêbado e o Equilibrista, escrito pelo vascaíno Aldir Blanc:

EDIT: O Flamengo se manifestou um dia depois, e graças a nota do colunista d’O Globo Ancelmo Gois, que falou de uma homenagem de sócios do clube ao remador Stuart Angel, uma das vítimas da Ditadura.
Na nota, o Flamengo oficialmente quer pagar de “isentão”, com a justificativa de ser uma “Nação” e, portanto, não se posicionar sobre política – em detrimento de todos os clubes citados até aqui.

Antes se calar do que jogar uma nota dessas…

As declarações mais efusivas são, é claro, do povo. As torcidas organizadas antifascistas fizeram um manifesto em conjunto repudiando a tentativa do governo de “comemorar” essa triste página da nossa história.

O texto – que você pode ler aqui – cita que o futebol também sofreu repressão durante a Ditadura.

O caso mais conhecido é de João Saldanha – que montou a Seleção campeã mundial de 1970, mas não foi ao México pois, comunista, peitou o Regime, que queria usar o futebol como arma para espalhar a “Revolução” pelo país.

Muitos jogadores também sofreram com a repressão (alguns presos, outros sabotados) como Nando, irmão de Zico; Sócrates, Afonsinho, Reinaldo, Tostão e Wladimir.

Citam também que o problema das Torcidas Organizadas atualmente – principalmente a criminalização – aconteceu nesse período, já que eram consideradas como possíveis células subversivas.

Fonte

Já deixamos aqui nossa opinião sobre o atual governo. Em mais de uma situação, aliás.

Mas, nesse tempo de Redes Sociais, aquele ditado QUEM CALA, CONSENTE nunca foi tão atual. Portanto, só dizemos isso:

Lembrar, sempre.
Repetir, jamais.
Comemorar, NUNCA!

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