O futuro dos estaduais na mão da Globo

O nosso futebol é cheio de “pontos fracos”. O maior deles, sem dúvida nenhuma, é o calendário repleto de competições.

Os estaduais, com o aumento de interesse dos campeonatos nacionais – como a Copa do Brasil e do Brasileirão – acabou virando o grande vilão da história.

Sabemos, entretanto, que os estaduais são campeonatos importantes para incentivar o futebol em todo o país, e principalmente num país grande como é o Brasil.

A Máfia das Federações

Esse é o grande dilema do “mal necessário” que se tornaram os estaduais.

A força das federações locais acaba colocando a CBF como “refém” no que trata de separar datas para os campeonatos deles.

A diminuição feita nas datas para os estaduais feita pela atual gestão da CBF (agora são 16 datas) é meramente simbólica, para “não desagradar as federações”, estruturas já arcaicas que são a base da pirâmide do nosso futebol, lugar que deveria ser dos clubes.

Isso inclusive intriga muitos estrangeiros que, após a grande campanha do Flamengo em 2019, se perguntam se os estaduais atrapalham mais do que ajudam o nosso futebol.

Em entrevista a Forbes, o ex-presidente do Flamengo Luiz Veloso expõe o grande dilema dos clubes grandes com o estadual:

“Os campeonatos estaduais do Brasil devem ser aprimorados e racionalizados […] Mas eles têm tradição, eles merecem existir em um formato e tempo contemporâneos”.

A Globo entra na jogada

Nos últimos anos, essa queda de braço vem se intensificando, e pode ficar ainda maior com o intermédio da Globo.

A emissora (que geralmente detém os direitos de transmissão dos Estaduais) entrou na discussão e defende mudanças nas datas.

A Vênus Platinada quer convencer a CBF a fazer o Brasileirão ser o ano todo, de fevereiro a dezembro.

Logo, defende algo como um “reposicionamento dos estaduais” nesse calendário.

Em entrevista ao Blog do Rodrigo Capelo no Globoesporte.com, o diretor de direitos esportivos do Grupo Globo, Fernando Manuel Pinto, explica as motivações desse “plano”:

“O calendário é um item de muita influência não apenas esportiva, mas também comercial. Somente uma competição nacional no ano todo seria capaz de trazer todos os brasileiros para assistir aos jogos nacionais. O torcedor do Ceará certamente prefere ver um jogo contra o Flamengo, contra o Grêmio, ou mesmo contra o Avaí, uma partida relevante por disputa de vaga, rebaixamento e até mesmo para o Cartola”

Ao contrário do que se acha (e o que defendem muitos “especialistas”), o objetivo da Globo não é acabar com os estaduais, mas fazer que eles durem ao longo da temporada. Segundo Fernando Manuel Pinto:

“Um reposicionamento dos estaduais, para coexistir com o Brasileirão, pode fortalecer não apenas as competições nacionais mas também valorizar os próprios estaduais, que durariam ainda mais e não apenas em meio ao verão e ao retorno das férias, propiciando atividades mais longas para os diversos clubes que têm nele sua principal competição”

A Rede Globo já enfrenta problemas com direitos dos estaduais. Atualmente, o campeonato paranaense passa exclusivamente na DAZN, plataforma de streaming esportivo.

O advento do DAZN, MyCujoo e outras aplicações semelhantes é um desafio a mais para a Globo manter sua hegemonia no mercado, que agora divide (uma parcela, pelo menos) com o Grupo Turner a exclusividade do Brasileirão.

Mesmo assim, e mesmo falando que a Globo “não é gestora do futebol, ela é parceira do futebol”, a TV tem sim muita influência nos bastidores, e pode conseguir colocar seu plano em prática.

Fonte e Fonte

E aí, será uma boa ideia estender ambos os campeonatos (brasileiro, regionais) durante todo o ano? Comenta aí!

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