O retorno dos “clubes-empresa”

Durante a coletiva de apresentação da treinadora Pia Sundhage como comandante da Seleção Brasileira feminina, o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, que veio a sede da CBF falar com o presidente da entidade sobre uma nova medida para tentar tirar os clubes brasileiros do vermelho.

Só que a ideia não é nova. E é bem controversa – como tudo envolvendo esporte e governo atualmente.

No segundo semestre, a Câmara dos Deputados, em meio a importantes votações como a Reforma da Previdência e a Reforma Tributária, deve colocar em pauta um projeto de lei voltado a transformar os clubes brasileiros em empresas.

Segundo o deputado do DEM-RJ:

“Vim conversar com o presidente da CBF (Rogério Caboclo) e com o Walter (Feldman, secretário-geral) sobre clube-empresa. A gente está querendo voltar esse debate. Nós entendemos que o futebol brasileiro precisa de mais capital, capital estrangeiro, e não vai entrar capital estrangeiro – nenhum tipo de capital privado – sem uma estrutura profissional nos clubes brasileiros”

A preocupação do deputado é a crescente dívida dos clubes de futebol que, a exceção de clubes como Flamengo e Palmeiras, não conseguem mais se sustentar.

“Nós precisamos da entrada de capital estrangeiro. Um clube associativo não vai atrair capital privado nenhum, muito menos estrangeiro, porque a forma de administração é primária, primitiva, atrasada, que não gera eficiência, que não gera transparência, e que não gera bons clubes de futebol no Brasil. Tirando Flamengo, Corinthians e Palmeiras, pelo patrocínio da Crefisa, todos os outros caminham para uma situação de inviabilização”

Maia é conselheiro do Botafogo, e deve estar sabendo no interesse dos irmãos Moreira Salles em investir no clube.

Clubes-empresa são uma boa?

A ideia, como dito anteriormente, não é nova.

A grande diferença do clube-empresa para um “clube-normal” é quem, em vez de ser constituído juridicamente como uma associação civil sem fins lucrativos, o clube-empresa é uma empresa criada com o objetivo de lucro a partir dos esportes.

Essa prática é muito comum nos EUA e em vários times europeus, e até tentou ser ventilado no Brasil.

Em 1994, foi instaurada a Lei Zico que, dentre outras coisas, facilitava essa criação de clubes-empresa.

O que era facultativo transformou-se em obrigatório com o advento da Lei Pelé, quatro anos depois.

A ideia era que, até o ano de 1999, todos os clubes brasileiros virassem S/A. O prazo foi estendido até 2000, e esse trecho da Lei foi revogado em 2000.

Nesse post aqui, vimos alguns clubes-empresa atualmente no país.

União Sâo João – o primeiro clube-empresa brasileiro.

E o que mudaria exatamente com essa migração de “razão jurídica” dos clubes?

Basicamente o clube poderia abrir seu capital para investidores estrangeiros com algum tipo de sociedade, lançar-se no mercado financeiro, entre outros. Resumindo, poderia LUCRAR com o próprio clube, não somente com o que ele gera.

Isso realmente pode trazer benefícios. Um bom exemplo é o futebol inglês. Desde que os xeques árabes investiram em clubes como o City, esses clubes começaram a ser COMPETITIVOS.

O Liverpool, que flertava uma quebra, foi “vendido” para um grupo americano. Os Reds foram vendidos por R$ 794 milhões.

Para você ter uma ideia, Lebron James é um dos acionistas, com 2% das ações (20 milhões de reais).

Só ano passado ele lucrou com o time em quase 90 milhões de reais. Imagina em 2019, já que o time inglês foi campeão da Champions?

Nem tudo são flores nos clubes-empresa…

Só que tem os contras. Clubes-empresa não necessariamente tem um lar. Claro, elas possuem uma sede, mas ela não tem o mesmo sentimento de “posse”, como os clubes tradicionais tem.

O esporte americano tem exemplos clássicos disso.

Cleveland, Baltimore e Indianápolis protagonizaram cenas dignas de filme: a mudança dos Colts, franquia da NFL que era de Baltimore NA CALADA DA NOITE para Indianápolis, o que, tempos depois, causou a ida dos Browns, de Cleveland, para Baltimore.

A diferença aqui é que os Browns, ao mudar de “sede”, mudaram de nome. Agora temos Baltimore Ravens e… Cleveland Browns, que é um time totalmente diferente.

Resumo da ópera: a transformação do clube em empresa (que já acontece no país) tem que ser pensado na nossa realidade, para que “o sentimento de pertença” dos clubes não se perca numa madrugada dessas…

E você? Concorda ou não com os clubes-empresa? Comenta aí!

2 comentários para “O retorno dos “clubes-empresa”

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