Os clubes-empresa podem voltar a moda no Brasil! Culpa de Brasília!

Depois da visita do Presidente da Câmara Rodrigo Maia a CBF, surgiu mais fortemente o assunto de regulamentar os clubes-empresa no país.

Apesar disso não ser novidade no país, a medida não vem sendo vista com bons olhos pela torcida e por vários dirigentes.

Entretanto, boa parte dos dirigentes de clubes (em especial das primeiras divisões) enxergam a oportunidade de virar S/A para tirar o time do buraco financeiro ou dar uma ascenção rápida.

O Botafogo está em vias de ser “arrendado” por um grupo chinês, o que vem deixando a torcida animada.

O CSA já ventilou que deseja se tornar um clube-empresa, como noticiamos anteriormente.

Outro caso positivo – por assim dizer – é o Bragantino, clube tradicional do interior paulista, que foi “fundido” com o RB Brasil, e vai muito bem na Série B.

Entretanto, nem tudo são flores. Pelo contrário.

Um exemplo mais recente foi no Figueirense, que afundou numa crise financeira, o que quase poderia ter eliminado o time do Brasileirão caso os jogadores – insatisfeitos com o atraso de salários – fizessem outro WO na Série B.

Movimentação no meio-campo do Congresso

Um projeto está tramitando no Congresso Nacional, capitaneado por Maia, e dirigentes e cartolas vem travando uma queda de braço para montar essa proposta.

O projeto articulado pelo deputado Pedro Paulo (DEM), basicamente implicaria em uma venda de parte da gestão futebol profissional para o capital privado, como ocorre na maioria dos clubes europeus.

Em vez de tomarem as decisões do clube, o presidente e os conselheiros seriam “sócios” dessa empresa, que faria uma gestão mais profissional do clube.

Segundo o consultor de gestão esportiva do Itaú BBA, Cesar Grafietti:

“No Brasil, as empresas com sócios, donos e riscos financeiros envolvidos têm melhor governança, uma vez que quem perde o dinheiro em caso de fracasso são os acionistas ou donos […] O modelo associativo, como funcionam os clubes brasileiros hoje, normalmente não geram bons resultados financeiros. São poucos os times da nossa série A que têm uma situação equilibrada”.

No entanto, segundo o especialista em economia no esporte do Grupo Pluri, Fernando Ferreira, esse modelo de gestão precisa de algumas ressalvas:

“Não tem a menor chance da lei passar como obrigatória […] Cada clube tem que ser soberano para escolher se sua melhor alternativa é virar empresa ou não. Vai ser a salvação de alguns, mas não de todos. Tem clubes brasileiros que não precisam. O grande problema nosso é não dar a oportunidade de atrair investidores aos clubes que precisam […] O problema é mais o ambiente do que o modelo”

De fato, apesar de vários clubes terem melhorado sua gestão após adotarem uma gestão “privada”, como no caso do PSG, Liverpool e Manchester City, casos como o Real Madrid e Barcelona são contrapontos, já que eles possuem uma gestão profissional sem ter “vendido” a mesma para o capital privado.

A atual legislação até permite essa movimentação de clubes-S/A, mas não a estimula financeiramente e adminsitrativamente com algum tipo de redução ou parcelamento de dívidas.

Os clubes contra-propostam

A proposta do deputado Pedro Paulo não agradou totalmente os clubes, que sugeriram uma contraproposta ao deputado, sugerindo mudanças no projeto.

Basicamente, os clubes querem:

Novo regime tributário – os clubes, na teoria, pagariam mais impostos virando S/A já que, como associação civil, os clubes tem certos abatimentos fiscais.

A sugestão seria que os clubes-empresas pagariam uma alíquota única e simplificada, que seria maior do que é pago atualmente, e menor que uma empresa comum.

Fundo Garantidor – os clubes não engoliram a ideia de criar um fundo comum das receitas dos clubes-empresas para “salvar” clubes endividados e próximos da falência.

Aparentemente o deputado retirou isso do projeto.

Recuperação judicial – temendo represálias da CBF e FIFA sobre o fair play financeiro, os clubes rejeitaram a proposta que facilitaria a recuperação judicial dos clubes.

Empresas à beira da falência conseguem renegociar suas dívidas, suspendendo todas as cobranças, penhoras e bloqueios por seis meses, para se reorganizar e oferecer um plano de pagamento para os seus credores.

Se os credores recusarem o plano da empresa, aí sim ela é considerada “falida”.

A proposta do deputado garantia os clubes nas competições sem exclusão caso entrassem em Recuperação Judicial.

Hiperssuficiência trabalhista – na Nova Reforma Trabalhistas, a negociação entre patrão/empregado pode “flexibilizar” – pra não dizer abolir – alguns direitos trabalhistas.

Apenas profissionais com diplomas universitários e remunerações acima de R$ 11.600 – duas vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) – podem ser considerados hiperssuficientes (ou seja, podem “negociar diretamente com o patrão”, não podendo ir na Justiça do Trabalho exigir direitos.

Clubes aceitaram a ideia do deputado (de flexibilizar a regra para os clubes-empresas, não exigindo o diploma universitário), mas reivindicaram que o piso seja de quatro vezes o RGPS, reduzindo a quantidade de jogadores enquadrados nessa situação.

Novo refinanciamento fiscal – o deputado sugeriu um Refis exclusivo para os clubes-empresa (refinanciamento de dívidas dos clubes de futebol com o governo).

Porém, já existe o Profut. Daí os clubes rejeitaram “fortemente” essa proposta.

A contra-proposta será analisada pelo deputado e pelo Ministro da Economia – já que a proposta dos clubes traz uma sugestão de reajuste de pagamento de dívidas, mas sem descontos adicionais diferenciados do Profut.

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Fonte

O assunto é importante, e pode SIM ser benéfico aos clubes, mas quando tem política de Brasília na jogada sempre é bom manter os DOIS pés atrás.

E aí, o que você acha? Seria bom ou ruim para o seu clube? Comenta aí!

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