Propostas de Lula para o esporte brasileiro

Finalizamos mais uma eleição presidencial. Para 50,9% dos eleitores, Luis Inácio Lula da Silva (PT) foi o escolhido para comandar a nação nos próximos 4 anos.

Pela terceira vez presidente, Lula teve um importante destaque nas políticas públicas e no fortalecimento do esporte.

Nessa postagem, vamos apresentar as propostas dele para o setor, bem como relembrar o que ele já fez pelo esporte nos dois mandatos anteriores.

Propostas do Lula

Em seu plano de governo, Lula apresentou os seguintes tópicos voltados ao esporte:

  • Esporte nas escolas (criação de novo modelo escolar para a implementação da iniciativa esportiva);
  • Fomento à democratização e descentralização do acesso ao esporte.
  • Incentivar o protagonismo dos atletas e o fortalecimento da gestão pública e transparente do sistema esportivo.

Mais precisamente, direto do próprio Plano:

“A democratização e descentralização do acesso ao esporte e ao lazer promovem desenvolvimento, combatem à violência e constroem a cidadania.

Propomos políticas universais de garantia dos direitos ao esporte e ao lazer, de acordo com a Constituição Federal de 1988.

O fomento ao esporte e ao lazer será reinserido na agenda nacional, incentivando a atividade esportiva nas suas várias dimensões.

Incentivaremos o protagonismo dos atletas e o fortalecimento da gestão pública e transparente do sistema esportivo, contemplando os governos locais e regionais.

O esporte e lazer, por meio do fortalecimento do Sistema Nacional de Esportes, serão instrumentos de resgate do orgulho nacional e da construção de uma cidadania democrática e plural, especialmente no combate à desigualdade social, na promoção da cultura da paz e contra qualquer tipo de intolerância e preconceito.”

Ok, mas… e o Ministério do esporte?

Apesar de descrever o esporte em seu plano, não há referência ao Ministério do Esporte, encerrado no início do Governo Bolsonaro.

Em agosto desse ano, alguns representantes de entidades esportivas se reuniram com membros da coligação de Lula e levaram reivindicações, como o aumento do bolsa-atleta.

Em outra ocasião, agora com o próprio Lula, ex-atletas reivindicaram melhorias no esporte.

“Vocês nunca tiveram um presidente comprometido com o esporte como eu vou ser. Cobrem, se não a gente não faz”.

Porém, nada explicito pro retorno do Ministério do Esporte.

Porém, o discurso de Lula na Avenida Paulista, neste domingo (30), cita a recriação do Ministério da Cultura e a criação do Ministério dos Povos Originários.

Isso poderia ser uma sinalização do retorno também da pasta do esporte.

Como foram nos governos anteriores

No período entre 2003 e 2010, o país passou por importantes momentos esportivos, destacando a década do esporte, que iniciou no governo Lula com os Jogos Panamericanos de 2007 no Rio, passando pelos Jogos Militares de 2011 e culminando na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016 (já fora do seu governo, mas idealizados e organizados inicialmente na sua gestão).

O esporte foi instrumento nas relações exteriores.

No lendário amistoso contra um Haiti envolto em guerra e tragédia, Lula e Ronaldinho, com apoio da ONU, levaram a Seleção ao país, num momento histórico.

Porém, nem tudo são flores. O escândalo do Mensalão manchou a reputação do governo e agitou sua reeleição, em 2006.

No ano seguinte, foi vaiado na abertura dos Jogos Panamericanos de 2007.

Porém, a popularidade dele ainda seguia em alta.

Em muitos eventos envolvendo ex-jogadores, como esse, relembrando os 50 anos do primeiro título mundial, ajudou a valorização dos atletas históricos, que passavam e passam por dificuldades financeiras longe das grandes conquistas.

Programas como o Bolsa Atleta (remuneração pública para manter atletas na ativa) e o programa Segundo Tempo (que fazia com que os alunos tivessem atividades físicas no contraturno ou no fim de semana nas escolas) foram destaque no governo, em especial na criação da Lei de Incentivo ao Esporte.

Tudo isso culminou com a escolha do Brasil para sediar as Olimpíadas de 2016. Na Suíça, Lula comandou a delegação que trouxe a primeira olimpíada para a América Latina.

Tanto que foi homenageado pelo Prêmio Brasil Olímpico de 2010, um de seus últimos atos públicos como presidente.

Estado atual

No governo Bolsonaro, o esporte nunca foi prioridade.

Acabou com o Ministério do Esporte no mesmo balaio de outros ministérios, como o da Cultura, sendo rebaixados a condição de secretaria.

A atuação dos militares que assumiram a pasta não fizeram trabalho ruim. Aliás, seria um alento, haja vista o trabalho das Forças Armadas no fomento do esporte, em específico no ciclo do Rio para os Jogos Olímpicos.

Porém, a politicagem que prometeu ser banida no governo, tirou os militares da pasta, e empurrando Marcelo Magalhães a pasta (que pertencia ao Ministério de Osmar Terra Plana).

Sua única ação real – além de viajar mais para o Rio que ficar em Brasília – foi os Jogos Escolares. Problemática, a edição de 2019 mas, quando as coisas deram errado, tirou o dele da reta.

O presidente sempre tentou se “escorar” nos clubes e seu sucesso, bem como nos atletas olímpicos. Porém, pouco ou nada fez pelo setor.

Muito do que imaginamos acontecer no post de 2018 acabou acontecendo.

Mesmo com desempenhos bons nos Jogos Panamericanos e Parapanamericanos de Lima e nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, vimos pouco ou nenhum incentivo aos atletas, o que pode ser refletido nos próximos jogos, em Santiago e Paris.


Apesar do esporte não ser uma prioridade tão latente no momento em que tanta gente passa fome e está sem emprego, acreditamos que o esporte, na base, nas escolas, e com atletas de alto rendimento, podem ser fomentados para voltar a ser importante instrumento de inclusão social.

E, assim como fizemos antes, vamos seguir de olho e cobrando sempre que for necessário.

A diferença dessa vez é que não precisamos ter medo de violência física ou assédio nas redes se criticarmos o novo governante da nação!

Fonte, Fonte e Fonte.

E aí, acha que o esporte vai voltar a ser política pública? Comenta aí!