Você já reparou que, no Brasil, o debate tático mais sério muitas vezes termina em uma piada de boteco?

A relação entre o futebol e o humor é tão profunda que personagens fictícios se tornaram tão reais para o torcedor quanto os próprios craques em campo.

Seja cobrando o técnico pelo telefone ou tentando (e falhando) ser um artilheiro, a comédia moldou a forma como consumimos o esporte.

A Era de Ouro: Chico Anysio e o Craque Coalhada

Para entender o humor no futebol, precisamos falar de Chico Anysio.

Ele criou tipos que satirizavam o ecossistema da bola com uma precisão cirúrgica.

Além das suas participações no Fantástico nas décadas de 1970 e 1980 que, além do cotidiano, falava bastante do futebol, ele também tinha personagens envolvidos com a bola.

O Coalhada era o estereótipo do jogador marrento, mas sem talento, que vivia de “quase” gols e de uma autoconfiança inabalável.

Mais do que um personagem, ele era uma crítica social ao amadorismo e à soberba de certos atletas da época.

Outro ícone era o Zé da Galera, icônico personagem de Jô Soares.

É aquele torcedor fanático que ligava para o técnico da Seleção Brasileira (o Telê Santana) exigindo: “Bota o ponta, Telê!”.

Esse quadro capturou a essência do “brasileiro técnico”, que sempre sabe mais que o comandante no banco de reservas.

O Fenômeno Casseta & Planeta e o Tabajara Futebol Clube

Nos anos 90, o grupo Casseta & Planeta elevou o deboche a um novo nível com o Tabajara Futebol Clube, “o pior time do mundo”.

A sátira, aliás, criação do saudoso Bussunda, deixou o Tabajara tão popular que um clube do interior de Minas adotou o nome e as cores do clube.

Porém, “traiu o movimento”, sendo campeão

O Tabajara do Casseta satirizavam a má gestão dos clubes e o baixo nível técnico de alguns campeonatos, criando um “universo paralelo” onde a derrota era a única certeza.

A Resenha Moderna: O Futebol como Entretenimento

Hoje, o humor migrou da TV para as redes sociais, mas a base continua a mesma: a resenha.

Com isso, programas de rádio e podcasts focam menos em estatísticas frias e mais na história engraçada de bastidor, provando que o conteúdo do esporte é, na verdade, a sua capacidade de gerar boas risadas.

Desde programas de rádio como os tradicionais Pop Bola no dial carioca, ou o Bola nas Costas no dial gaúcho, ou o Estádio 97 no dial paulista, ou até mesmo canais de Youtube como a Cazé TV, tentam capitalizar com a RESENHA do esporte.

Será que o futuro do humor esportivo é a RESENHA?

O futebol brasileiro é, por natureza, um espetáculo de humor. Desde as provocações entre rivais até os personagens que eternizaram nossas manias, rir do próprio time é o que nos mantém sãos.

Fonte e fonte!


Quem vai cornetar a Seleção agora com o advento das redes sociais? Tá faltando Jô Soares e Chico Anysio hein?

Fato Curioso:

As dez estrelas douradas que adornam o topo do escudo do América Mineiro celebram o histórico decacampeonato mineiro. A sequência de títulos foi conquistada entre 1916 e 1925, um recorde de conquistas consecutivas no futebol estadual.

Confira mais sobre essa curiosidade!

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