Muitas vezes, vemos cenários de neurodivergência, como o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) ou o o Transtorno do Espectro Autista (TEA) apenas através das lentes do desafio.
No entanto, no mundo dos esportes de alto rendimento, esses cenários tem se revelado aliados inesperados para atletas e não praticantes do esporte.
O Hiperfoco como Vantagem Competitiva

Diagnosticada com autismo aos 4 anos, a americana Breanna Clark queria alcançar a glória olímpica assim como sua mãe, Rosalyn Bryant, medalhista olímpica em Montreal 1976.
Foi classificada no atletismo para a classe T20 (para atletas com deficiência intelectual), e competiu aqui no Rio, nos Jogos de 2016.
Foi medalha de ouro nos 400m T20 estabelecendo o novo recorde Paralímpico.
Agora é a mamãe coruja que se emociona com os feitos da filha: novos ouros no Mundial de Londres, em 2017, nos Jogos Para Pan-Americanos Lima 2019 e novo ouro em Tóquio 2020 (com novo recorde).
Clark, na sua comemoração, realiza uma dança que virou marca registrada em suas vitórias!
Craque do futebol e o TEA

Para muitos atletas com cenário de neurodivergência, com o TEA, a rotina repetitiva e a necessidade de precisão — fundamentais no esporte — são naturais.
A jogadora inglesa Lucy Bronze, campeã europeia com a seleção inglesa e da Champions Feminina com Chelsea e Lyon, foi diagnosticada com TEA em 2021, já no auge da sua carreira.
Porém, já tinha sido diagnosticada com “dislexia” e TDAH na infância.
“Como eu processo as coisas, sendo superfocado. As pessoas sempre dizem: ‘Ah, você é tão apaixonado por futebol’. Não sei se diria que sou apaixonada, sou obcecada. Esse é meu autismo, é meu hiperfoco em futebol. Algo que é realmente bom para TDAH e autismo é exercício. Ter esse foco, algo para fazer, manter-se em movimento”, afirmou à BBC.
O maior medalhista de todos e o TDAH

O maior medalhista olímpico de todos os tempos, Micheal Phelps, teve dificuldades na infância por conta do TDAH.
A sua mãe, Debbie Phelps, que também era diretora de escola, contou os desafios de Micheal para focar nos estudos, e como a natação ajudou nisso.
“Uma das professoras dele me disse que ele não conseguia se concentrar em nada […] Sempre que um professor dizia: ‘Michael não consegue fazer isso’, eu retrucava: ‘Então, o que vocês estão fazendo para ajudá-lo?”
Já apaixonado pela natação, teve no esporte o auxílio que precisava para ler (cadernos de esporte do jornal) e para ter atenção em matérias como a matemática (os problemas eram adaptados a assuntos relacionados a natação).
Clay Marzo e o surfe inclusivo

Diagnósticos tardios podem não mudar muito a realidade de um atleta, mas podem “justificar” algumas situações que ocorreram no passado. Foi isso que aconteceu com o surfista Clay Marzo.
Ele foi diagnosticado muitas vezes durante a infância e a adolescência com DDA, dislexia e deficiência de aprendizagem.
Ele tinha claras dificuldades de socialização, mas tinha um talento gigante no surfe. Aos 18 anos, foi finalmente diagnosticado com síndrome de Asperger.
Já fazendo sucesso no surfe, teve sua história contada no filme/documentário Just Add Water da ESPN, que o apresentou a um público mais amplo e o lançou à fama.
Baseball e Tourette

O avanço da medicina, em especial nos diagnósticos, podem melhorar as condições de vida do paciente, inclusive dando a ele a opotunidade de seguir fazendo o que ama.
Foi o caso de Jim Eisenreich, jogador de baseball.
Em 1982, surgiu no Minnesota Twins, mas os tiques incontroláveis, resultado da síndrome de Tourette.
Isso combinado com um diagnóstico posterior de síndrome de Asperger, forçou ele a se retirar do esporte em 1984.
Jim, porém, não desistiu. Aliou a medicação a um conhececimento melhor do comportamento do seu corpo e os desafios que enfrentaria num jogo de baseball.
Isso fez com que ele ganhasse confiança para voltar a campo em 1986.
Três anos depois, a recompensa: Jim ganhou o prêmio de melhor jogador do ano (MVP) enquanto atuava pelo Kansas City Royals.
Antes de se aposentar, em 1998, foi campeão da World Series em 1997 com o Florida Marlins.
Celebrar essas histórias é entender que a diversidade humana é o que torna o esporte rico. Acreditamos que a informação é o primeiro passo para o respeito!
Fato Curioso:
O 'Extreme Ironing' surgiu em 1997, na Inglaterra, quando Phil Shaw decidiu levar sua tábua e ferro de passar para uma escalada. O esporte une a adrenalina de atividades radicais à tarefa doméstica de deixar camisas bem engomadas.
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