“Clube do Vinho” do Flamengo implode a imprensa esportiva brasileira

Vai um vinho aí?

Qualquer tipo de postagem, áudio, referência ou até uso de emoji relacionado a VINHO virou motivo de polêmica nas redes sociais.

Tudo por conta de um arranca-rabo do bom entre jornalistas de veículos de imprensa diferentes (ou até da mesma empresa).

Para entender a treta MELÉGNA – que obviamente tem mais a ver com política interna do clube do que um simples apoio de jornalista X ou Y – precisamos volte um pouquinho no tempo.

Quem é assinante do “Clube do Vinho”?

Abel Braga é apreciador de um bom vinho. E também de tomá-lo com seus amigos. E não há nada de errado nisso.

Alguns jornalistas esportivos – entenda-se Mauro Cesar Pereira – usaram uma analogia de um “clube de vinho” para afirmar (categoricamente ou não) que boa parte da imprensa que defendia o trabalho de Abel a frente do Flamengo, agia por “camaradagem” com o treinador.

O negócio esquentou no pedido de demissão do Abel Braga do comando do Flamengo.

Abel reclamou depois de sair do clube que a diretoria “já estaria negociando com outro treinador antes mesmo de se cogitar sua saída”.

A reclamação do treinador foi refletida, obviamente, nos veículos de imprensa.

O apresentador do SporTV, Tiago Maranhão, que sempre defendeu o trabalho do treinador, em detrimento dos seu estilo de jogo e de resultados, que irritavam o torcedor, se pronunciou citando o tal “clube” que MCP falava, “se excluindo fora dessa”:

“Em tempo, já que as coisas sempre descambam para o pessoal, registro aqui que não sou amigo do Abel, nunca tomei vinho com Abel, nunca troquei um whatsapp com Abel, não tenho nenhuma relação pessoal com Abel. minhas críticas são à maneira como tudo foi conduzido. A crítica deveria ser direcionada 1o à diretoria, que escolheu Abel e depois passou a criticar ruidosamente, como se não tivesse nada a ver com isso. fica claro que o processo de fritura é bem tolerada por todos. conduzir a situação com profissionalismo não parece ser opção.”

MCP sentiu a cutucada e retrucou:

“Alguns não querem ferir a amizade, outros evitam perder o convidado de estúdio, inegavelmente divertido quando vai aos programas; e há quem tema o Flamengo forte, algo aparentemente inviável com o comando técnico muito mau escolhido por dirigentes, os grandes responsáveis. Sejamos objetivos: o trabalho de Abel no Flamengo deixa muito a desejar, uma ala o defendeu incondicionalmente, outra, menor e da qual sou integrante, o criticou como (faço sempre) a tantos treinadores que protagonizaram maus trabalhos nos últimos anos”

O que se seguiu depois, em doses homeopáticas, foram declarações de jornalistas que apoiavam Abel, achavam a perseguição a ele exagerada (até aí OK), mas categoricamente afirmavam que NUNCA TINHAM TOMADO VINHO COM ELE.

Zinho (comentarista da FOX Sports) vestiu a carapuça quando Jorge Jesus chegou no clube:

Uma coisa boa para o Jorge Jesus é que vão ter que ter paciência com ele. Fizeram um movimento via internet e veículos de comunicação para derrubar o Abel Braga. Teve companheiro da gente na imprensa inclusive acusando as pessoas do mesmo seguimento. Eu fui um dos acusados. Falta de ética. Agora vem o Jorge Jesus, então vão ter que engolir. Tem que ter paciência com o cara, vai ter que esperar!

O vinho desandou de vez

A derrota para o Emelec no jogo de ida das oitavas da Libertadores acendeu novamente o estopim do “clube”, que havia sido esquecido. Os jornalistas vinículas meteram o pau em Jorge Jesus (que, realmente, errou durante a partida).

MCP, chato como sempre, voltou a afirmar que a turma do “Clube” queria queimar o recém-chegado treinador por ressentimentos com a saída de Abel – aparentemente o treinador que Abel Braga se referia na sua demissão era Jorge Jesus.

Aí, na última sexta-feira, Junior apareceu tomando vinho numa postagem de rede social, claramente em referência ao tal “clube”.

Se não estava fácil associar, o texto da postagem é bem claro:

No mesmo dia, em entrevista ao canal do Youtube De Sola, no programa Alê Oliveira Responde, o Abel Braga finalmente deixou explicito o “clube do vinho”:

O clube do vinho é como tem o clube da água, o clube da esquina, o clube do cinema, clube do teatro, do whisky. Não tem clube do vinho. Tenho amigos que bebemos vinho. Estou falando para vocês e bebendo vinho. Estou tomando vinho no jantar, é muito bom. Não me incomoda em nada. Bebo vinho com meus amigos. Gostaria que isso não incomodasse as pessoas

Após isso, falou sobre as críticas de MCP:

Ele não precisa de mim como amigo, nem eu dele. Eu não sei a situação, não posso falar a situação dele, não sou amigo. Não converso com ele. Não passo meia hora por dia com ele. O que ele fala de mim não representa absolutamente nada. Tenho grandes amigos na imprensa e que não deixam de me criticar, isso é absolutamente normal. Se vai para outro lado, eu não posso falar. Não conheço. Não te perguntei como ele é. Não me interessa. Eu gostaria que ele me esquecesse, seria legal.

MCP respondeu “enigmaticamente”, mas claro que a carapuça serviu:

 

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‪Jornalista não tem que ser amigo de tecnico.‬ ‪Jornalista não tem que ser amigo de jogador.‬ ‪Jornalista não tem que ser amigo de dirigente.‬ ‪Jornalista tem que falar com jogadores, técnicos e dirigentes.‬ ‪Jornalistas têm que manter a independência para escrever matérias que agradem ou desagradem jogadores, técnicos e dirigentes. ‪Mesmo com microfone nas mãos, ex-jogador, ex-técnico e ex-dirigente não é jornalista, apenas alguém que passou a vida no futebol e agora tem uma tribuna. Nela, pode ser honesto ao fazer suas análises ou corporativista, defendendo incondicionalmente jogadores, técnicos e dirigentes.‬ ‪Pior, defendendo seus amigos e sendo rigoroso com quem vem de fora.‬ ‪Isso não é profissional, mas um desrespeito com a empresa que paga os salários e com o público.‬ ‪Mas há exceções, claro.‬ ‪Por essas e outras minha maior referência na opinião esportiva é um ex-jogador: Tostão.‬ ‪Homem culto, independente, sensível e equilibrado, que faz questão de manter distância daqueles que são alvo de seus comentários. Que caráter!‬

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O que se viu em seguida foi uma treta gigante entre o #TimeVinho e o #TimeMCP:

 

 

 

 

Fonte e Fonte.

Aqui se toma vinho?

A gente sabe que o MCP é chato com tudo (sério, eu dificilmente vi ele falar bem de alguma coisa), mas nessa ele tem razão.

Claro, Abel Braga passou por uma barra terrível com a morte do filho, e foi abraçado por todo o futebol.
No entanto, é notório que o trabalho dele no Flamengo deixava a desejar.

Também concordo que, caso realmente Jorge Jesus foi contatado antes do Abelão sair (algo veementemente desmentido pela diretoria, mas eu duvido que realmente dissesse se fosse verdade), a reclamação dele seria válida, mas alguns jornalistas extrapolam as amarras profissionais para as pessoais.

Sei que é difícil isso na imprensa esportiva de hoje (claramente tendenciosa a time X ou Y, a região Z ou W), mas fica sempre o desejo: jornalismo forte é jornalismo imparcial.

E você? Curte um vinho? Comenta aí!

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