O caso CRUZEIROGATE

Uma bomba explodiu na cabeça do torcedor cruzeirense – e surpreendeu o torcedor brasileiro como um todo.

O Fantástico, no último domingo, exibiu uma reportagem que escancarou uma série de irregularidades na gestão do presidente Wagner Pires de Sá que chamou atenção da Polícia Civil de Minas Gerais.

A reportagem exibiu vários indícios de crimes por parte da direção do clube que são investigados pela Polícia: falsificação de documentos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil de Minas Gerais, segundo a reportagem, instaurou inquérito após ouvir 15 pessoas que têm algum tipo de ligação com o clube, desde funcionários, ex-empregados, dirigentes e empresários que participaram de alguma negociação com a atual diretoria.

A denúncia mais grave é de um empréstimo de R$ 2 milhões do Cruzeiro ao empresário Cristiano Richard dos Santos Machado. Para quitar o débito, o clube incluiu parte dos direitos de jogadores do profissional, que passaram pela base e foram negociados, e alguns que ainda estão nas divisões inferiores.

O exemplo mais absurdo é o de Estevão William, de 12 anos, conhecido como ‘Messinho’. Ele só poderia assinar contrato a partir dos 16 anos.

O percentual de cada jogador repassado a Cristiano corresponde à sua multa rescisória.

Só que a Fifa proibiu, desde 2015, a aquisição de direitos econômicos de jogadores por empresas, sendo permitido apenas a atletas e clubes.

Com a palavra, o Cruzeiro

Para tentar se explicar, o Cruzeiro convocou entrevista coletiva na tarde de segunda-feira.

TENTAR, pois obviamente o clube negou todas as acusações levantadas na reportagem.

O vice-presidente do clube, Itair Machado, foi o que mais falou.

Afirmou que a reportagem tinha viés político:

“Não vamos nos adentrar o motivo que levou essa matéria, que todos sabemos que foi política. O que levou foi a política. O Cruzeiro deu motivo para isso? Vocês vão fazer o juízo a partir do momento que a gente explanar com tranquilidade”

Sobre o aumento salarial incomum de Itair, com aumentos sequenciais duante os últimos anos, ele afirma:

“Foi assinado que eu dei aumento para mim, nem quero que retrata. Não tive aumento naquele que foi mostrado. Não tinha sido colocado no meu contrato o prêmio pelo título da Copa do Brasil. Só vou ganhar bem se ganhar títulos. Eu ganho R$ 600 mil por taça, dirigente em outro clube ganha mais de R$ 1 milhão”, acrescentou.

Uma outra denúncia afirma recebimento de dinheiro a um diretor da Torcida Organizada Máfia Azul – que também comanda a TV da TO. Itair explica:

“O investimento não foi em torcida organizada, foi para trazer sociabilidade para o torcedor do Cruzeiro. Não é ilegal, mas o Cruzeiro não dá dinheiro para torcida”

Já com relação ao jovem Estevão William, colocado como garantia do empréstimo contraído com Cristiano Richard dos Santos Machado, Itair Machado alega que a lista dos jogadores que “fariam parte” desse empréstimo, na verdade, não fere a regra da Fifa.

“O Cruzeiro tem aqui em mãos o contrato. O Cruzeiro fez contrato de mútuo, depois fez uma dação. O Cruzeiro pagou ao empresário em 7 de agosto de 2018, de R$ 400 mil. A segunda parcela, em 14 de fevereiro, de R$ 200 mil. Foi pago antes de vender. Não adianta vir com dupla interpretação. Daria um valor muito maior”

Nesse momento, o jornalista Vinícius Nicoletti, da Fox Sports, argumentou o que Itair omitiu: o fato de que Estevão sequer era atleta profissional e não poderia ser envolvido em negociações.

A discussão foi captada pelo SporTV, onde claramente Itair ameaça Nocoletti:

“Você vai ver. Eu tenho muita coisa suas e vou começar a falar”

Ao deixar a Sala de Imprensa, Itair Machado ironizou a imprensa:

“Para infelicidade de muitos, o Cruzeiro não vai ser punido”.

RAPAZ, QUE COISA, HEIN?

Sabe o que é pior? Parece ser modus operandi dos clubes no Brasil. Quem dera que essa investigação de estendesse a mais clubes, não?

E aí, o que você acha? Cruzeiro tem culpa no Cartório? Comenta aí!