As edições anteriores da Supercopa do Brasil

Torneios como a Supercopa (entre o campeão da Copa e o do Campeonato) acontecem corriqueiramente em outros países, mas o Brasil (como sempre) ficava para trás.

Só que, o torneio que está ficando tradicional no calendário do nosso futebol, já havia acontecido na década de 1990 por três* vezes.

1990

Após o lançamento da Copa do Brasil um ano antes, a CBF decidiu se espelhar em campeonatos estrangeiros e também criou a Supercopa do Brasil.

Naquele ano, o Grêmio havia sido o vencedor da Copa do Brasil, enquanto o Vasco tinha conquistado o Brasileirão.

Essa disputa aconteceu em 1990, mas “pegando carona” nas partidas em que as duas equipes fizeram entre si na Libertadores daquele ano.

Ambos caíram no Grupo 5 (junto com os paraguaios Olímpia e Cerro Portenho).

Na primeira partida (em 14 de março), 2×0 para o Tricolor Gaúcho em casa. O título veio para o Grêmio no Maracanã com um 0x0 na volta (em 18 de abril).

O mais irônico é que o Grêmio ganhou a taça “de carona”, mas acabou sendo eliminado na fase de grupos da Libertadores, e viu o Vasco avançar.

SEGUNDO a diretoria gremista, essa taça Supercopa do Brasil nunca chegou na sede tricolor.

1991

Tentando repetir “o sucesso” do torneio anterior, a CBF promoveu a Supercopa de 1991 entre o Corinthians (campeão brasileiro de 1990) e o Flamengo (campeão da Copa do Brasil de 1990).

Sem a “carona” de jogos da Libertadores, a CBF resolveu fazer a partida em jogo único no Morumbi, no dia 27 de janeiro de 1991.

O Corinthians venceu a partida pelo placar de 1 a 0, com gol Craque Neto.

1992*

A CBF acabou desencanando do torneio após o jogo de 1991. A partir daí, existe registro de um amistoso festivo entre o Flamengo (campeão brasileiro) e o Paraná (campeão brasileiro da Série B).

Foge do “regulamento” do torneio, mas a RSSSF (entidade que registra estatísticas do futebol) indica que essa é uma “espécie” de Supercopa, mesmo que nem a CBF e nem o Flamengo a considerem assim.

Em campo, no dia 12 de agosto, o Flamengo empatou com o Paraná em 2×2, vencendo na disputa dos pênaltis.

Como dissemos, fica apenas como curiosidade, pois só a gringa acha que foi uma “Supercopa” de verdade.

2018*

A CBF vez por outra tenta resgatar a ideia da Supercopa, sendo que apenas ano passado conseguiu colocá-la no calendário das competições.

No entanto, nada impede que os próprios clubes se organizem, mesmo sem valer um troféu oficial.

Foi o que aconteceu em 2018, quando o Corinthians, campeão do Brasileiro de 2017 e o Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil de 2017, realizaram partidas amistosas, uma em cada “casa”, durante a Copa do Mundo FIFA de 2018.

O primeiro jogo, em BH, foi no dia 4 de julho, e terminou com vitória do Corinthians por 2 a 0. A partida de volta, em 11 de julho, foi na Arena Corinthians em São Paulo, tendo empate e 2 a 2.

Supercopa Repaginada

Voltando ao calendário oficialmente em 2019, a Supercopa do Brasil virou tradição, e as primeiras três edições foram praticamente um reduto do Flamengo.

2020

Na primeira edição da “retomada”, o Flamengo – campeão brasileiro de 2019 – enfrentou o Athletico-PR – campeão da Copa do Brasil do ano anterior.

Mostrando superioridade, os comandados de Jorge Jesus venceram facilmente por 3×0, num estádio Mané Garrincha abarrotado de torcedores rubronegros (já que ambas as equipes tem as mesmas cores).

Esse foi um dos últimos grandes torneios com casa cheia no Brasil antes do decreto da OMS elevando a COVID-19 a categoria de pandemia.

2021

Ainda sob os efeitos da pandemia do COVID19, o Flamengo – novamente campeão brasileiro – enfrentava agora o Palmeiras – campeão da Copa do Brasil.

Num jogo disputado, que terminou em 2×2 no tempo normal, o Flamengo se saiu vencedor após derrotar o Palmeiras na disputa por pênaltis.

O jogo novamente foi no Mané Garrincha, onde a CBF aparentemente deixou claro que o jogo único seria nesse estádio.

2022

Em virtude do Atlético-MG ter vencido ambas as competições (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil), o regulamento apontou que o Galo teria que enfrentar o vice-campeão brasileiro do ano anterior, que – vejam só vocês – foi o Flamengo.

Um clima hostil entre as diretorias se formou por conta disso.

Principalmente depois do Mané Garrincha não ter capacidade de receber o jogo por conta do agravamento da pandemia do COVID19 no DF.

Depois de idas e vindas, a CBF decidiu que o jogo seria realizado na Arena Pantanal, em Cuiabá.

E mais uma vez num jogo emocionante, Galo e Mengo empataram por 2×2 no tempo normal.

E a emoção permaneceu nas penalidades, com todos os jogadores cobrando.

Na primeira cobrança da “segunda volta” de jogadores, o Flamengo desperdiçou sua cobrança, e o Atlético-MG não, derrubando a hegemonia rubronegra na competição.

E se…

E se a CBF não tivesse desistido da Supercopa do Brasil em 1992?

A ideia da Supercopa não vingou por conta do já inchado calendário e da falta de interesse na época.

No entanto, com boa divulgação o futebol brasileiro ainda se vende (mesmo com tanta coisa errada nele).

Se a CBF não tivesse desistido, como seriam as decisões da Supercopa desde 1992 até o ano passado?

Nos anos 90 (mais precisamente, até 1999), a CBF poderia usar a mesma fórmula de 1990 já que, pelo regulamento da Libertadores na época, os times do mesmo país caíam no mesmo grupo.

Levando em conta que o amistoso de 2018 citado acima “tenha sido uma Supercopa”, vamos analisar os resultados simbólicos dessas disputas.

Ranking de “Supercopas”

 Campeão Brasileiro do ano anteriorCampeão da Copa do Brasil do ano anteriorResultado*
1992São PauloCriciúma0x3,4×0
1993FlamengoInternacional3×1,0x0
1994PalmeirasCruzeiro2×0,1×2
1995PalmeirasGrêmio0x5,5×1
1996BotafogoCorinthians1×1,0x3
1997GrêmioCruzeiro2×1,2×0
1998VascoGrêmio0x1,3×0
1999CorinthiansPalmeiras***2×1,0x1
2000CorinthiansJuventude1×2
2001VascoCruzeiro3×0
2002Atlético-PRGrêmio1×2
2003SantosCorinthians1×1,3×1
2004CruzeiroSantos**3×1,4×4
2005SantosSanto AndréNão teve
2006CorinthiansPaulista***2×2
2007São PauloFlamengo0x0,0x1
2008São PauloFluminense1×3,1×1
2009São PauloSport2×1,4×0
2010FlamengoCorinthians0x1,1×1
2011FluminenseSantos3×2,1×2
2012CorinthiansVasco1×0,0x0
2013FluminensePalmeirasNão teve
2014****CruzeiroFlamengo3×0,0x3
2015CruzeiroAtlético-MG3×1,1×1
2016CorinthiansPalmeiras1×0,2×0
2017PalmeirasGrêmio1×0,3×1
2019PalmeirasCruzeiro1×0,2×0

* Como a CBF usou a primeira partida entre os times que encontrou para realizar a Supercopa de 1990, vamos nos inspirar nela e pegar a primeira partida (ou as duas primeiras partidas) entre as duas equipes naquele ano.
Se não houver nenhuma para aquele ano, a gente diz que “flopou” e não aconteceu.

** Nos espelhamos no que acontece em Supercopas de outros países: caso o campeão do Campeonato e da Copa sejam o mesmo, o jogo é disputado entre o campeão e o vice do Campeonato.

*** Para facilitar quando há empate, vamos adicionar aos critérios de desempate o gol marcado fora de casa.

**** Como em 2014, Flamengo e Cruzeiro deveriam disputar penalidades, e não teve gol marcado fora de casa, consideramos dar o títulos aos dois, com o famigerado asterisco.

Ranking “Atualizado”

Logo, nessa hipotética disputa, como seria a relação dos vencedores? Quem venceria mais Supercopas?

Flamengo* 5
Palmeiras 4
Corinthians 4
Grêmio 3
Cruzeiro* 3
São Paulo 2
Vasco 2
Juventude 1
Santos 1
Fluminense 1
Paulista 1
Atlético-MG

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