A lenda da Caxirola

Você que foi aos estádios do Mundial de 2014 deve lembrar de ter empurrado nossa Seleção ao ritmo da caxirola

Não?

Bem, essa era a intenção do Carlinhos Brown e do comitê organizador da Copa. Porém, foi um fiasco.

Fuleco e sua amiga não tão famosa

Nesse post vamos explicar o que é a caxirola e porque ela foi um mico colossal.

Concorrendo com a Vuvuzela

Se você pegar qualquer vídeo que pegue o som ambiente dos estádios da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, vai escutar AQUELE zumbido.

A vuvuzela foi a sensação do torneio. No começo era bacana, mas depois…

Tradicional no futebol africano, o instrumento que parece uma corneta gigante foi usada à exaustão pelos torcedores sulafricanos durante o Mundial.

Para a Copa de 2014, o músico Carlinhos Brown resolveu trazer um pouco da brasilidade musical para os estádios.

Assim surgiu a CAXIROLA.

Certificada em setembro de 2012 pelo Ministério do Esporte para ser o instrumento musical oficial da Copa, a caxirola foi inspirada em outro instrumento, o caxixi, “chocalho” utilizado na capoeira.

Caxixi e caxirola

A primeira polêmica foi a da confecção.

Diferente do original, que é feito de de palha e sementes, a caxirola era feita de plástico e material sintético.

Feito de um Polietileno Verde que “retira” CO2 da atmosfera, tem uma degradabilidade baixa em relação a um chocalho de bambu, por exemplo, exigindo correto descarte.

No entanto, o criador Carlinhos Brown tinha certeza que o instrumento ia pegar.

Inclusive sem poluir sonoramente o local de jogo, como acontecia com as vuvuzelas.

“A caxirola respeita os limites sonoros. Ela reproduz sons da natureza, do mar, por isso trabalhamos com os melhores engenheiros acústicos para que o som fosse gostoso, agradável.”

Logo, foi integrado aos produtos oficiais da Copa de 2014, sob a chancela da FIFA.

Carlinhos Brown, criador do instrumento, e a presidente na época, Dilma Roussef

A Revolta das Caxirolas

Introduzir um instrumento musical desses no ambiente dos estádios seria difícil, principalmente quando o torcedor nunca nem usou o instrumento antes.

Mas, se desse certo, o lucro seria garantido. Carlinhos Brown e seus sócios estimavam lucro de 1,5 bilhão de reais com a caxirola, com a venda de até 50 milhões de unidades.

Por isso, o Ba-Vi na recém reinaugurada Arena Fonte Nova, que seria palco de partidas do Mundial, seria o local ideal para o lançamento do instrumento.

No dia 28 de abril de 2013, o público no estádio teve uma aula com Carlinhos Brown e dezenas de percussionistas antes da partida, mostrando como o instrumento deveria ser usado.

Como qualquer clássico entre os rivais baianos, o jogo estava pegado.

Só que o torcedor tricolor esperava um TRIUNFO na sua “casa”. Porém, o Vitória, bem, vence por 2×1.

Inconformados, alguns torcedores resolveram descontar sua decepção com o time ATIRANDO as caxirolas em campo.

Brown já havia dibrado uma orientação de não uso nas arquibancadas por ter um possível uso em agressão.

Segundo o cantor, como o chocalho era muito leve, não teria problema.

O músico subestimou o poder do torcedor de reclamar e as novas configurações das arenas, mais perto do gramado.

O caso pegou muito mal para Carlinhos, para o Governo Federal e para o COL da Copa.

Tanto é que, no evento-teste seguinte, no Maracanã, o instrumento já estava banida dos estádios.

Depois, entrou na lista de itens não permitidos para ingresso nos estádios da Copa das Confederações (em 2013) e da Copa do Mundo (em 2014).

O que seria épico virou um mico. Futebol caxirola do BR na Copa de 2014

O instrumento até que vendeu bem. Porém, não o esperado, pois o fator estádio estava vetado.

A empresa que produziu o instrumento chegou a lançar uma versão “light”, mais flexível.

Nem isso adiantou.

A Copa acabou sendo “silenciosa” com relação a instrumentos.

Talvez tenha sido melhor assim. Imagina o que o torcedor em BH faria com as caxirolas durante o 7×1?

Fonte

E aí? Lembra dessa história? Você tem uma caxirola? Comenta aí!